Digital PR: um novo olhar sobre o profissional de comunicação

Digital PR: um novo olhar sobre o profissional de comunicação

O advento da internet e o fenômeno das redes sociais trouxeram mudanças conjunturais à sociedade. No campo comunicacional, a maneira de consumirmos informação mudou drasticamente. Como reflexão, o Facebook existe apenas há 15 anos. A exemplo de outras transformações, o que conhecemos até então como “assessoria de imprensa” também foi alterado. Por isso hoje trazemos para debate um novo olhar sobre o profissional de comunicação: o Digital PR – comunicador que traz mais dinamicidade autenticidade e personificação de acordo com as exigências do momento.

Há pouco, quando se contratava uma assessoria de imprensa esperava-se que seus profissionais produzissem press releases, fizessem follow-up, organizassem encontros e ações de relacionamentos com jornalistas, coletivas de imprensa e press-trips, elaborassem press-kits, media trainings, finalmente salvaguardassem a imagem da organização ou marca, com intuito de gerar visibilidade e contribuir para construção de uma reputação positiva por meio do relacionamento efetivo com a imprensa.

Atualmente, embora tais ferramentas sejam usuais, tenham seu peso e não devam ser descartadas, novas formas de atuação foram inseridas no trabalho de PR (Public Relations).

Para atender as novas demandas sociais e dialogar com o momento, é importante que a começar pela nomenclatura, que os comunicadores remodelem seu mindset e pensem a área como Assessoria de Comunicação, ou seja, um conceito holístico.

 Influenciadores e redes sociais

O profissional do momento não pode ser considerado apenas um assessor de imprensa, pois sua atuação não se restringe no relacionamento com jornalistas que estão nas redações tradicionais. Hoje é impossível pensar em uma estratégia efetiva de comunicação corporativa, que não contemple os chamados influenciadores, que propagam informações em diversas redes sociais (Facebook, YouTube, Linkedin, Twitter etc.), e conteúdos em blogs, além de disseminarem ideias e opiniões em ambientes offlines, como em palestras, reuniões, encontros, salas de aulas e consultórios médicos, programas radiofônicos e televisivos e diversos locais.

Em uma estratégia mais ampla, deve-se pensar o comunicador também como Digital PR, digo “do mesmo modo”, pois o termo é excludente. Citando o caso análogo da imprensa, em grande parte das empresas e agências de comunicação, as atividades do profissional de comunicação corporativa não se limitam no uso de ferramentas e relacionamento com formadores de opinião que estão no ambiente on-line. No entanto, vale a pena a inclusão e a aplicação de técnicas digitais e de relacionamento que buscam diversificar a atuação da empresa ou marca, pois impactam novos públicos.

Para sair-se bem, o comunicador contemporâneo ao invés de traçar um plano de comunicação que tenha somente como alvo os veículos tradicionais, por exemplo, deve buscar incluir em seu planejamento, as redes sociais dos órgãos de imprensa, que em alguns casos, tem até mais audiência do que a mídia propriamente dita; além de pautar podcasts e usar grupos sociais para divulgação de sugestões de porta-vozes e conteúdos.

Mapear influenciadores e suas variáveis, micros e nanos, que possivelmente podem ter interesse em informações da organização ou da marca, com intuito de tentar publicações espontâneas, envio de produtos e serviços para testes, participação em ativações, parcerias e outros, também é uma estratégia interessante e assertiva. No mundo atual, além de ditar tendências, esses formadores de opinião são altamente relevantes na construção de um ideal coletivo.

Press release digital  

Embora o famoso press release ainda seja relevante e funcione, redigi-lo pensando em otimizar o ranqueamento e posicionamento nas ferramentas de busca é fundamental. A construção do release efetivo leva em conta técnicas de SEO, como o uso de link building. Nesse contexto, além de auxiliar na divulgação dos valores e mensagens-chave, contribuindo para formação de imagem positiva do assessorado, também auxiliará a divulgação do negócio, gerando credibilidade e permitindo que seja encontrado por potenciais consumidores. Além disso, quanto mais interativo o conteúdo, com imagens, vídeos, infográficos e outros elementos, maior será sua aceitação. É importante ressaltar que com o enxugamento e fechamento de alguns títulos e redações, a concorrência aumentou, e para se destacar “não basta fazer o mais do mesmo”.

Também é válido destacar que, o disparo de releases em massa, embora em alguns casos resultem em publicações, não deve ser considerado como assertivos. Hoje a palavra de ordem é personalização.

Monitoramento, crises de imagem e análise de dados

Outra estratégia que deve ser usada pelo PR atual é a adoção de ferramentas como o Stilingue, em escala avançada e o Google Analytics, em uma escala menor, que  permitem analisar a estratégia adotada, com o objetivo de ter insights, coletar insumos e informações para mapeamento de pautas, prever tendências e crises de imagem e informações do que tem gerado buzz e até repensar o planejamento.  

Falando em crises de imagem, nunca foi tão relevante considerar ações preventivas que minimizem ou contenham crises originadas nas redes sociais. Atualmente, grande parte delas acontecem no ambiente on-line. O profissional moderno deve sempre estar atento tanto aos conteúdos proprietários divulgados pela marca ou organização, quanto aos disseminados por seus diversos stakeholders.  

A análise dos dados também faz parte do trabalho do novo PR. Saber classificar o que está se dito a respeito do assessorado é importante. Não adianta ter uma excelente estratégia de divulgação e coleta, se não tiver a análise dos conteúdos. Números por si só não representam nada!

As transformações digitais e sociais exigem um novo olhar sobre o desempenho do profissional de comunicação corporativa, que deve pensar fora da caixa e navegar por diversas áreas.

Por Rodrigo Freitas

Gostou do artigo?