Influenciadores virtuais: uma alternativa das marcas para se comunicar com seu público

Por João Pedro Andrade

Miquela Sousa é uma trendsetter quando o tema é moda e beleza. Bem sucedida e engajada, a californiana de 19 anos, filha de brasileiros e espanhóis, conquistou as redes sociais de grandes marcas, como Vogue e Prada. Mas Miquela… bem, Miquela não é real. Com mais de 1,5 mi de seguidores no Instagram, ela faz parte de um seleto grupo de influenciadores digitais – mais conhecidos como “influenciadores virtuais” -.

Pode parecer mais um episódio de Black Mirror, onde a realidade e o mundo virtual se misturam, mas não é bem assim. Os influenciadores virtuais são desenvolvidos a partir de um software 3D e copiam a forma humana. Miquela Sousa, ou Lil Miquela – como prefere ser chamada, e a modelo sul-africana Shudu Gram, são exemplos desse novo fenômeno que está ganhando notoriedade entre as marcas de moda mais badaladas do mundo.

Influenciadores virtuais: uma alternativa das marcas para se comunicar com seu público

Reprodução Instagram | Miquela Sousa. Disponível em: https://www.instagram.com/p/Bs9ael9H_M-/

Shudu tem 157 mil seguidores no Instagram e é fruto da mente de Cameron-James Wilson. O fotógrafo britânico a compartilhou pela primeira vez no Instagram em abril de 2017 e não demorou muito para a marca de cosméticos, Fenty Beauty, de Rihanna repostar (e depois apagar) uma foto de Shudu usando um de seus batons. Logo Shudu havia acumulado centenas de milhares de seguidores, o que chamou atenção de outras grandes marcas.

Embora seja curioso que um número tão grande de pessoas possam ser influenciadas por um personagem fictício, as modelos jogam limpo em suas redes e não fingem serem pessoas de carne e osso – “19/LA/Robot”, diz o perfil de Miquela, por exemplo.

Além disso, opiniões políticas e pessoais ajudam na criação de laços entre robôs e humanos. Miquela utiliza seu espaço nas redes sociais para expressar apoio ao movimento ‘Black Lives Matter’, que luta pelo fim da violência policial contra a comunidade negra norte-americana, e com frequência faz posts em apoio à comunidade LGBTQ+.

Para as marcas, essa atuação é uma faca de dois gumes. Elas encontram vantagens, como a falta de necessidade de exigências e pré-requisitos de pessoas de carne e osso, enquanto, financeiramente, os valores de contratação de influenciadores reais e virtuais se aproximam.

Por outro lado, as modelos reforçam padrões estéticos irreais tóxicos – já tão utilizados pelo mercado de moda – e acabam sendo centro de polêmicas nada virtuais. O sucesso de Shudu Gram abre o questionamento, por exemplo, sobre o espaço ocupado pela modelo negra criada por um artista branco, enquanto tantas e tantos modelos negros reais não conseguem atingir a mesma visibilidade.

Ainda é cedo para afirmar se a onda de influenciadores virtuais é uma fase passageira ou um novo momento da relação entre marcas e consumidores. No entanto, o sucesso de Miquela e Shudu mostra que, mesmo que momentaneamente, o lugar desses personagens está garantido na mesa dos influenciadores digitais.

 

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