Race Entrevista Kelly Fusteros, relações-públicas e coordenadora de Comunicação da Allianz Partners Brasil

A comunicação interna é um departamento planejado e com escopos determinados para que haja a interação entre a empresa e seus colaboradores. Com ela, é possível aprimorar os relacionamentos e aumentar a produtividade, o engajamento e, até mesmo, os resultados financeiros de uma organização.

E por isso, o post de hoje traz uma entrevista exclusiva com a relações-públicas e coordenadora de Comunicação da Allianz Partners Brasil, Kelly Fusteros. Com mais de oito anos de experiência profissional, Kelly acompanhou as mudanças no comportamento das empresas, principalmente a preocupação com o bem-estar e o bom convívio dos colaboradores.

A comunicação interna assume um importante papel nas empresas que prezam por um ambiente profissional agradável.

Nessa entrevista, você entenderá o importante papel da comunicação interna nas empresas. Confira como foi!

Race Comunicação: Qual é a importância da comunicação interna para a empresa?

Kelly Fusteros: Toda organização é composta por pessoas e são elas que, trabalhando em conjunto, levarão a empresa a alcançar suas metas e resultados. O primeiro objetivo da Comunicação Interna é informar os colaboradores sobre o que acontece na empresa e oferecer conteúdo que possa agregar nas atividades diárias. Em um segundo momento, a comunicação interna tem o poder de atuar na cultura organizacional, na disseminação das metas e objetivos e no engajamento dos colaboradores.

A comunicação interna, quando atua de forma estratégica próxima à diretoria, extrapola os limites de apenas levar informações. Ela engaja o colaborador, fazendo-o sentir-se parte de uma “família”, de algo a mais, de ver sentido em suas atividades, a ligação delas com as metas, a ponto de transformá-lo em um influenciador interno e embaixador da marca. A comunicação interna leva transparência, passa um discurso único e deve ser sempre de duas mãos, ou seja, alta diretoria para colaboradores e vice-versa, ajudando, assim, a mitigar os rumores e notícias falsa dentro da organização.

RC: Como pensar em ações estratégicas para esse público?

KF: Primeiramente é importante conhecer os colaboradores analisando desde dados quantitativos (quantidade de colaboradores, porcentagem de homens e mulheres, idade, região em que moram, quantos são de líderes, turnover, porcentagem de colaboradores da área administrativa e da área operacional, entre outros dados) quanto informações qualitativas (pesquisa anual, escuta ativa nos corredores ou refeitórios, grupos de discussão, visita às áreas, reunião com pontos focais, etc.). Com estas informações, os profissionais da área de Comunicação Interna poderão traçar um perfil dos colaboradores e como deve ser a abordagem: se os colaboradores são mais jovens, os canais de comunicação e as ações propostas poderão utilizar uma linguagem mais despojada, leve, com visual mais próximo ao que este público consome externamente, como memes e vídeos; se os colaboradores são da área jurídica, por exemplo, é importante conhecer as terminologias e processos; se o turnover é alto, é necessário trabalhar com frequência as mensagens-chaves, pois a rotatividade de pessoas impacta na cultura e engajamento.

Uma dica é criar uma persona, que é a representação simplificada de seus colaboradores, um personagem que ajudará a comunicação a compreender melhor quem é o colaborador e do que ele precisa.

A partir destes pontos, a Comunicação Interna deve basear seu planejamento nas metas e objetivos da companhia e em como transmitir essas informações à persona de forma eficaz, considerando suas características, desejos e anseios, e engajando-o para que colaboradores e empresa caminhem em uma mesma direção.

RC: Você acredita que as organizações fazem uso correto da comunicação interna para melhorar o relacionamento entre os colaboradores? 

KF: Hoje em dia, acredito que as empresas estão utilizando a comunicação interna para criar um relacionamento e estabelecer um elo afetivo e interações entre a marca empregadora e os colaboradores.

Entre as próprias áreas, a comunicação interna pode ajudar na quebra dos silos, promovendo ações e campanhas de interação e colaboratividades, como uma revista ou jornal interno, em que colaboradores entrevistam e criam conteúdos de outros departamentos; campeonatos esportivos; grupos de corrida; aulas de canto ou teatro; ações voluntárias; etc.

Comunicação interna para millennials

RC: Por que a cultura da adoção de ações de comunicação interna demorou a ser incorporada pelas empresas de médio e pequeno porte? 

KF: A comunicação é inerente a toda e qualquer organização. Ela existe no dia a dia e a grande diferença é a empresa se apropriar dela de forma oficial ou não.

Ter uma boa comunicação se tornou essencial para qualquer organização, visto que os profissionais estão cada dia mais procurando locais de trabalho que possuam um ambiente saudável, estão mais preocupados com seu bem-estar, com a valorização de seu trabalho, são mais críticos quanto ao desempenho das organizações e sua transparência.

As empresas de médio e pequeno porte demoraram para compreender a comunicação interna como uma ferramenta que iria ajudá-las a ter mais sinergia para alcançar seus resultados e integrar os colaboradores. Muitas vezes, estas organizações são de estrutura familiar, o que pode ter uma resistência ainda maior para a implantação de uma comunicação de mão-dupla.

RC: Quais são os principais entraves que dificultam uma comunicação interna eficaz?

KF: A falta de participação estratégica nas decisões da alta diretoria é o maior desafio, ao meu ver. A direção da empresa precisa ter uma visão clara do importante papel e valor que a área de comunicação interna possui, envolvendo-a nos momentos de decisão.

Baixo investimento e tecnologias ultrapassadas é o segundo maior desafio. A criatividade é inerente aos profissionais de Comunicação, porém ter orçamento para investir em ações de engajamento e de reconhecimento, por exemplo, pode ser o diferencial para mudar a cultura organizacional. Também é importante investir em canais mais modernos, como intranet e TV Corporativa, com layouts mais atrativos, intuitivas e de fácil atualização.

RC: Quais os benefícios que uma comunicação interna pode trazer para a organização?

KF: A Comunicação Interna eficaz traz melhores resultados financeiros para a organização, pois aumenta a produtividade e o tempo de permanência dos colaboradores na companhia, além de tornar claro as estratégias e objetivos da organização, mostrando o impacto que cada atividade desempenhada exerce no todo.

Ela também fortalece a cultura, estimula o bom comportamento, engaja os colaboradores, ajuda a quebrar silos e aumenta a colaboração entre as equipes.

RC: Você acredita que a tecnologia trouxe grandes ganhos para a comunicação interna?

KF: Com certeza. Nosso mundo está cada dia mais digital, a forma como as pessoas se comunicam está passando por transformações e toda esta evolução é uma constante forma de melhoria interna. A tecnologia integrada à comunicação interna otimiza os processos e aumenta a produtividade, trazendo maior rapidez, facilidade e efetividade para a equipe de comunicação. Também é possível mensurar melhor os resultados e impactos.

Para o público-alvo, a tecnologia proporciona rapidez no recebimento das informações, canais mais interativos, que levam em consideração a experiência do usuário e que facilitam a comunicação de duas vias. Além do ganho ambiental com a diminuição do uso de papeis e demais itens descartáveis.

RC: Quais dicas você daria para as empresas que querem implantar uma comunicação interna de maneira eficiente?

KF: Acredito que o primeiro passo é desenvolver uma cultura de comunicação, trabalhando em conjunto com a alta liderança para o sucesso da organização. Estabeleça quais serão os canais de comunicação oficiais da companhia: intranet, redes sociais corporativas, newsletters, comunicados, TV Corporativa, entre outros. Além disso, garanta que os líderes da companhia tenham conhecimento destes e que os utilizem para as comunicações oficiais.Também realize um Plano de Comunicação Interna para diagnosticar as forças e oportunidades e planejar as ações e campanhas do ano. E, ao colocá-lo em prática, faça conexões entre o que os colaboradores realizam no dia a dia com o propósito da organização, fornecendo uma visão dos objetivos e resultados a serem alcançados.

As ações de comunicação face a face são uma ótima maneira de criar uma conexão com os colaboradores. Então aposte em oportunidades de contato, como eventos com os líderes e com o presidente, dinâmicas que garantem a interação entre as áreas e o feedback. E sempre que possível, mensure seus resultados de forma quantitativa e qualitativa, para verificar se suas ações estão sendo efetivas e para que possa sempre mostrar o valor da comunicação interna para a companhia.

RC: Por que muitas empresas delegam a comunicação interna para o departamento de RH?  Esse tipo de trabalho não deveria ser feito pelo departamento de comunicação?

KF: Algumas organizações possuem a antiga visão de que os colaboradores só querem ser informados de seus benefícios e que um bom ambiente de trabalho é criado apenas pela equipe de Recursos Humanos. Como falamos, o engajamento e o tempo de permanecia de um colaborador na empresa vai além dos benefícios ofertados pela empresa.

Pesquisas apontam que os colaboradores preferem uma empresa que valoriza a comunicação e o diálogo aberto com seus líderes do que uma que oferece excelentes benefícios, demonstrando que os benefícios não vão preencher a falta de diálogo, feedback e bons relacionamentos. A área de Comunicação Interna possui os conhecimentos e ferramentas adequadas para engajar os colaboradores e levar a organização ao sucesso.

 

 

Gostou do artigo?