Race entrevista: Erick Spada

Marketing Digital é o desafio de impactar a pessoa certa, com a mensagem certa e no momento certo”

 

Por João Pedro 

Para entender mais sobre marketing digital, assim como qualquer assunto, nada melhor do que trocar informações. Foi pensando nisso que entramos em contato com Erick Spada, responsável pelo marketing digital de uma grande montadora de automóveis. Em nosso papo, Erick nos contou alguns elementos chave para a realização de uma campanha de Digital bem sucedida.

 

Race Comunicação – Como começou na área? Há quanto tempo está atuando?

Erick Spada – Sempre trabalhei com desenvolvimento de sistemas e dados na área de Tecnologia da Informação, porém em 2011 recebi um convite para coordenar o antigo time de WebMarketing em uma indústria automotiva em São Bernardo do Campo-SP, o que naquele momento era basicamente “fazer e manter um site”. Essa época se iniciou com a movimentação das empresas para unificar o CRM, Marketing e Informações em um único local que se conseguisse atingir os clientes com a digitalização, criando o Marketing Digital. Apesar de parecer algo que já temos há muito tempo, estamos falando de apenas 10 anos.

RC – No que consiste a atividade de marketing digital?

ES – O Marketing Digital é o desafio de impactar a pessoa certa, com a mensagem certa e no momento certo. E digo “desafio” porque todos os dias os comportamentos alteram, junto com eles também avançam as tecnologias, ideologias e surgem novas startups. Unificar, planejar e implantar dá trabalho, e atualmente o “timing” conta muito, pois se você não fizer, outro o fará.

RC – Como é a atuação da indústria automotiva nesse meio?

ES – As montadoras trabalham sempre com o alinhamento mundial da marca, mesmo que cada mercado trabalhe com as suas ações regionais. Dessa maneira, temos uma via de mão dupla para a troca de informações, levamos informações e ações para a matriz, assim como recebemos boas práticas de outros mercados para serem trabalhados no Brasil. Isso ocorre com o uso de ferramentas e até mesmo ações locais de divulgação dos produtos.

RC – Como você vê as ações sendo revertidas em benefícios para a empresa?

ES – O desejo sempre é aumentar as vendas, mas isso não significa que seja instantâneo após uma ação digital. Na verdade, com o momento que vivemos hoje e com os demais perfis de consumidores existentes, acredito muito que o mais importante com as marcas é o primeiro contato sobre o benefício do produto com o cliente. Produto em si para vender todo mundo tem, mas qual é o seu diferencial? Como as ações digitais farão com que sua marca seja relevante no dia a dia das pessoas? Um ato benéfico, o quão importante é para você, e como eu “como marca” me relaciono com você “como consumidor”. Uma vez, um cliente e amigo me disse algo que sempre levo comigo, que apesar de simples, é verdadeiro: “todo cliente quer se mimado”. Faz sentido, temos vários produtos que entregam a mesma coisa, e que tem valores correspondentes… mas pense em uma marca que te enxerga muito próximo, que te entende, que está lá quando você precisa ou tem dúvida; não é um mimo? Pequenas ações de relacionamento te cativam, e claro, te fidelizam!

RC – Poderia contar um case de grande sucesso efetuado pela marca?

ES – Quando as empresas começaram a trabalhar com as plataformas de redes sociais, por volta de 2010, não se tinha tanta noção ainda do impacto que isso causaria no futuro, e hoje redes sociais é sinônimo de atendimento ao cliente. Conteúdos, por exemplo, eram replicados em Facebook, Instagram e SnapChat (esse último sofreu um boom e ninguém mais falou dele). Com a análise de dados diário, ficou claro que o comportamento de usuários de Facebook e Instagram queriam informações diferentes em cada plataforma, e hoje, com o conteúdo totalmente adaptado para ambas as redes sociais, todos buscam a liderança em seguidores e engajamento no ramo automotivo dentro do Instagram.

RC – Como pensar em ações estratégicas de marketing digital?

ES – Primeiro ponto: qual o seu objetivo como empresa? Quando estamos com pessoas gerenciais, estratégicas, criativos e parceiros de divulgação, todos devem estar alinhados com o objetivo de algo a ser criado. É para engajar? É para divulgar a marca ou o produto? Ou o objetivo é simplesmente vender? A partir desse momento você já começa a direcionar todo o time. Claro que várias ideais sairão com diversos escopos diferentes, e um grupo multidisciplinar é sempre bem-vindo. Avalie as possibilidades de implementação e comece a viabilizar os custos, que caso não estejam dentro do orçamento, serão descartados. É incrível a quantidade de boas ideias que podem surgir de vários locais diferentes.

RC – Quais são os principais erros cometidos em marketing digital no mercado atual?

ES – Na verdade o erro é não enxergar o que há ao seu redor. Muitas tentativas podem parecer que são erros quando não dão certo, mas o mercado digital além de muito competitivo é muito dinâmico. Tudo que fazemos serve como aprendizado, e claro, a geração de valores na consistência de dados e na divulgação dos produtos parece ser o único motivo para estarmos no Digital. Com a concorrência que existe hoje, temos momentos que são muito mais importantes em gerar consideração pela marca, a atratividade e os benefícios que a empresa pode ter com as pessoas, e esse retorno financeiro pode demorar algum tempo para que seja alcançado. Olhe sempre para frente com a coleta das informações no passado, e nunca subestime o uso dos dados. Esse pode ser o maior erro.

RC – Você acredita que todo o tipo de empresa pode ter uma estratégia de marketing digital eficiente?

ES – Pode não, deve! Independentemente do tamanho da empresa, da quantidade de funcionários… Hoje, é obrigação você estar no Digital, e não digo apenas em ter um site. Hoje o site é o seu cartão de visita, sua vitrine, mas atuar no segmento Digital exige conhecimento e planejamento para que a execução seja um sucesso. Às vezes, as pessoas de empresas menores pensam apenas no “investimento necessário” e temos ferramentas de mercado que nos ajudam a tomar um rumo sem gastar dinheiro, ou gastando pouco. Por isso, essa nova geração de pessoas que já nasceram digitais (eu não nasci, estou sempre tentando aprender… rs) tem que unir as ideias com o quanto a empresa possui para investir e chegar num plano que atingirá os objetivos da relação B2C.

RC – Quais dicas você daria para as empresas que ainda não trabalham com isso e querem implantar?

ES – O primeiro passo é ter pessoas realmente dedicadas para isso, que tenha uma visão 360° das demais áreas, pois sempre haverá oportunidades com os demais departamentos para atuar. Com isso, utilize o que já tenha coletado de informação com o histórico, como por exemplo: quais são os perfis de clientes, o que eles procuram, o que querem, como querem ser contatado e atendido, etc. Dessa maneira, escolha múltiplos canais para atuação (Google Business, Instagram, Facebook, Youtube). Reserve um valor mensal em seu orçamento e você conseguirá se planejar durante o ano e manter uma divulgação sem variações. Quem te acompanha sempre espera novidades! Feito isso, avalie os dados. Serão gerados dados sobre informações de comportamento, buscas, regionalização, devices, visitas, rejeição; e esses dados podem te trazer surpresas e ajustes na sua comunicação. Esteja onde o cliente quer.

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