Desafios de porta-vozes estrangeiros com a imprensa brasileira

Desafios de porta-vozes estrangeiros com a imprensa brasileira

Por Thamyris Barbosa

Mesmo com todas as mazelas de um contexto de crise agravado pela pandemia, o Brasil ainda se mantém entre as grandes economias mundiais. É o que diz o relatório mais recente da Austin Rating, que classifica nossa república na 13ª posição do ranking de maiores economias do mundo. Com isso, o país segue atraindo empresas e negócios estrangeiros, que buscam abocanhar uma fatia do mercado brasileiro e expandir sua influência na América Latina.

A questão é que, muitas vezes, a empresas que chegam de fora trazem consigo um corpo diretivo internacional, que conhece pouco ou quase nada da cultura local. Isso pode trazer complicações diversas, inclusive no relacionamento com a imprensa. Veja abaixo alguns pontos de atenção:

Barreira idiomática

Logo de cara, a primeira barreira é a língua. Muitos CEOs e diretores chegam ao Brasil acreditando que falar inglês e espanhol irá resolver todos os problemas e se decepcionam ao perceber que não é bem assim, especialmente quando chega a hora de uma entrevista mais aprofundada sobre as estratégias da empresa.

A verdade é que não adianta enrolar, sem um português minimamente razoável, dificilmente a empresa conseguirá estreitar o relacionamento com a imprensa brasileira. É claro que muitos jornalistas possuem conhecimentos desses idiomas, mas não dá para contar que todos eles terão um nível de proficiência tão avançado a ponto de conseguirem entrar em detalhes sobre assuntos muito específicos de cada área.

Diferenças culturais

Outra questão que não pode ser ignorada é a diferença cultural. Antes de encarar uma entrevista é preciso estar o mais familiarizado possível com os costumes locais, a começar pela forma de tratamento.

Os brasileiros costumam ser mais afetuosos e comunicativos, o que pode deixar os porta-vozes estrangeiros um tanto quanto desconfortáveis, caso este comportamento fuja daquilo que eles estão acostumados. É importante que o representante da empresa não aja muito friamente, pois isso pode prejudicar a imagem da corporação e enfraquecer a relação com os jornalistas brasileiros.

Preconceitos estrangeiros e ideias ultrapassadas

Há quem acredite que o Brasil é uma grande Floresta Amazônica e que todos aqui só pensam em festa, mais especificamente no Carnaval. O porta-voz de uma empresa não pode, nem de longe, cometer a gafe (e o desrespeito) de reforçar esses preconceitos.

Se quiser mostrar que está ambientado com a cultura local, deve se afastar desses estereótipos rasos, como achar que todo brasileiro gosta de futebol ou sabe sambar. O ideal é se aprofundar nos costumes do país e, se possível, da região onde a companhia está instalada. Afinal, com o Brasil sendo tão grande, não dá para achar que todos os estados são iguais e possuem a mesma cultura.

Críticas ao país

É aquilo: nós brasileiros, de modo geral, adoramos criticar nosso país. Mas somente nós podemos fazer isso. Não admitimos que os outros, que vêm de fora, falem um “a” do nosso país.

Sendo assim, as críticas vindas dos porta-vozes estrangeiros precisam ser muito bem dosadas e extremamente pontuais, mesmo que sejam direcionadas ao governo. O ideal é fugir, sempre que possível, deste tópico durante as entrevistas.

Por fim, é importante ressaltar que é fundamental que o porta-voz conheça os principais veículos de comunicação do país, os jornalistas mais influentes do mercado de atuação da empresa e a inclinação ideológica de cada um.

Por isso, um media training é primordial para evitar problemas com a imprensa local, garantir que as mensagens-chave da empresa sejam transmitidas para trazer os melhores resultados na comunicação. Afinal, se para os próprios empresários brasileiros o trato com a mídia pode ser desafiador e, por vezes, arriscado, o cuidado deve ser redobrado para os que vêm de fora.

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