Você sabe o valor do design?

O valor do desgin

Em primeira instância pode parecer uma equação sem cálculo exato, mas o retorno do investimento em comunicação visual é muito mais palpável do que se imagina, tanto financeiro quanto de valor de marca.  Por isso, hoje a proposta é debater um pouco sobre o valor do design para o negócio.

A McKinsey Quarterly – revista com foco em gestão e teoria organizacional – realizou uma pesquisa na qual monitorou as práticas de design de 300 empresas de capital aberto de vários países e diferentes setores ao longo de cinco anos. A mídia obteve mais de 2 milhões de dados financeiros e criando paralelos com outras informações de investimento da empresa, mediu o crescimento alavancado por um bom investimento em na área visual da marca. É possível conferir mais sobre esta pesquisa aqui.

Quando pensamos na Comunicação das Coisas, a parte visual é a primeira que comunica algo. Cores, fotos, desenhos, gráficos, organização das informações em uma página ou a textura de um produto são elementos que têm uma percepção anterior à informação escrita ou falada. Isto é: a primeira impressão é sempre da comunicação visual.

Mas antes de abordamos as análises métricas ou qualitativas da pesquisa, vamos à pergunta: o que é um bom design?

Infelizmente, não existe resposta absoluta para essa pergunta. Mas vamos resgatar uma linha de pensamento que acredita-se ter inspirado Jonathan Ive, designer de produtos como o iMac, o iPod e o iPhone: “Weniger, aber besser”, que significa “menos, mas melhor”. A frase é do arquiteto alemão, especializado em desenho de produtos e um dos mais influentes na área do século 20, Dieter Rams. A partir dela, Rams elaborou 10 princípios, que abordam, entre outros fatores, a importância da comunicação visual ao ajudar a entender o produto e torná-lo mais útil.

Bom, o que temos até aqui é: o desenho é a primeira impressão sobre algo e o que fará o consumidor compreender o produto que a marca entrega. Já temos um valor não tangível. Agora vamos às métricas!

Segundo a pesquisa da McKinsey Quarterly, o potencial de crescimento alavancado pelo por essa comunicação é enorme nos setores baseados em produtos e serviços. Porém, com a dificuldade de vincular o design à saúde dos negócios, os líderes das empresas relutam ao investir na área.

Assim, o estudo traz um conjunto de inciativas que foram diagnosticadas nas empresas de melhor desempenho financeiro. São eles: “mensuração e alavancagem do desempenho de design com o mesmo rigor que as receitas e os custos; quebra de paredes internas entre design físico, digital e de serviço; transformação do design centrado no usuário em uma responsabilidade de todos; e redução do risco de desenvolvimento ao ouvir, testar e iterar continuamente com os usuários finais”. Mas o que é tudo isso? Enquanto vertentes estéticas dizem que “quanto menos, melhor”, o design enquanto setor tem que ser mais. Mais do que um departamento, mais do que um sentimento, mais do que um produto e mais do que uma fase.

Você sabe o valor do design?

ISSO É:

Empresas que têm melhor desenvolvimento financeiro mostram, cada vez mais, que trabalham o design de forma inteligente e integrada. Elas fazem dele um setor de investimento e exigem o mesmo rigor de atuação de outras áreas. Também trabalham com uma integração entre esse departamento e os demais, para pensar o produto de forma conectada e trabalhar os diferentes tipos de comunicações arquitetadas em uma teia. Além disso, entendem o design como um processo, não uma ação pontual. E, por último, mas nem um pouco menos importante: pensam na experiência do usuário e na relação com o consumidor final.

Somente 50% das empresas em questão realizaram pesquisas com usuários antes de gerar suas primeiras ideias ou especificações de design. Porém, todas as estratégias de marketing e vendas estão focadas na jornada de compra do cliente. Assim, é essencial colocar o usuário no centro das decisões de negócio, entregando uma prototipagem e aprendizagem interativas, fazendo com que esse cliente tenha a experiência completa sobre seu produto ou marca e compreenda na totalidade quem é a sua empresa.

Voltando lá para os ideais do Rems, a importância do design é ajudar a entender o produto e torná-lo mais útil. E, para isso, é necessário que o usuário final faça parte da construção – para que sejam avaliados pontos de melhorias e retiradas todas as formas de comunicação que atrapalham essa compreensão (menos, mas melhor).

O essencial é trabalhar a comunicação visual com mesma importância das áreas comercial, estratégica, atendimento etc. Seu negócio sabe o valor do design e qualificá-lo dentro e fora da empresa?

Por Nathalie Portela

Arte da capa: Christoph Niemann / Reprodução Instagram

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