O mercado obscuro dos falsos influenciadores

Por Bruno Uehara

Por trás de perfis com milhões de seguidores, podem existir “usuários fantasmas” que não representam pessoas reais. Mini-documentário “The fake influencer” revela a facilidade para forjar os números.

Os influenciadores digitais conquistaram um valioso espaço no planejamento estratégico de diversas empresas. O alto potencial de alcance e engajamento nas redes sociais é capaz de atingir resultados excepcionais, mas nem sempre o número de curtidas, comentários e visualizações de uma publicação representa o cenário real de impactos. Por trás dessas estatísticas podem existir milhares de “usuários fantasmas” – conhecidos como bots ou robôs –, comprados por falsos influenciadores que forjam a relevância do próprio perfil.

“Muitos influenciadores perceberam a oportunidade de se sustentar com isso, e vivendo muito bem. Na ansiedade pelo rápido crescimento, eles simplesmente recorrem à compra de seguidores”, revela Luis Díaz, CEO da agência espanhola H2H, especializada no marketing de influência e responsável pelo mini-documentário “The fake influencer”.

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A produção, disponível no YouTube com legendas em inglês, revela a criação de uma falsa blogueira de moda que passa a ser procurada por diversas marcas. Com investimento de 500 euros – cerca de R$ 2 mil –, ela supera a marca de 100 mil seguidores em poucos dias, recebendo diversos benefícios em troca de divulgações no perfil do Instagram. Entre as regalias, surgem convites para eventos de moda, estadias gratuitas em hotéis e refeições em restaurantes, inclusive para seus acompanhantes.

 

“Hoje em dia, é muito fácil comprar seguidores em qualquer rede social. Basta procurar no Google por ‘compra de seguidores’, e aparecerão diversas opções de sites que oferecem o serviço, disponibilizando até mesmo o perfil de seguidor desejado”, alerta Laura Raimundo, gerente de campanhas da agência.

Diante do cenário, o Instagram tem reagido de forma radical, encerrando as atividades de diversas plataformas especializadas na comercialização de seguidores, como o Instagress, PeerBoost e InstaPlus – este último segue no ar com site em português, disponibilizando contratações mensais por R$ 99.

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Um artigo recente do PR News apontou casos semelhantes também no Twitter, no qual podem ser encontrados diversos usuários falsos – réplicas de pessoas reais –, responsáveis principalmente pela propagação de fake news. O texto destaca algumas dicas para identificar as fraudes: avaliar a variedade de posts – se as fotos se repetem com frequência no feed –, se interagem nos comentários alheios apenas com hashtags ou emojis, e verificar se a rede de amigos inclui pessoas aparentemente comuns.

“A responsabilidade é de todos nós, incluindo marcas e agências”, diz Díaz sobre o aumento de perfis enganosos. “Precisamos combater as fraudes principalmente pelo profissionalismo do mercado”, observa, reforçando a importância de identificar os verdadeiros influenciadores como meios de comunicação que podem gerar credibilidade, transmitindo as mensagens-chave de forma rápida e eficiente.

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