O advento das redes sociais corporativas e o novo ser S/A

Por Rodrigo Freitas

As novas formas de interações sociais, relacionais e midiáticas, a quebra de paradigmas e a inovação fizeram com que a sociedade, principalmente a brasileira, assumisse uma nova configuração de mundo. Cada vez mais presente, a palavra “reconfigurar”, entrelaça o espaço físico e o virtual, incorporando-se no contexto da sociedade em todas as esferas. Nas organizações não é diferente. A era da padronização do ser S/A findou. Embora ainda existam adeptos fundamentalistas, o todo imposto tem dissipado a cada dia. Como retratou Zygmun Bauman, sociólogo e filósofo polonês na “modernidade líquida”, tudo é volátil, as relações humanas não são mais tangíveis.

Em um mundo aberto, repleto de possibilidades, conectividades, pluralidade comunicacional e social, onde a tecnologia constitui uma verdadeira extensão do homem, o termo Aldeia Global, utilizado pelo por Herbert Marshall McLuhan nas obras “A Galáxia de Gutenberg” (1962) e, posteriormente, “Os Meios de Comunicação como Extensão do homem” (1964), confere veracidade à sociedade contemporânea. Os valores, conceitos, princípios e regras, que até então eram apenas ditados pelas organizações sociais, estão cada vez mais distantes do homem pós-moderno.

Hoje, os colaboradores de uma empresa e/ou não querem ser conhecidos como simples tarefeiros, operacionais – eles almejam ter voz, constituem um novo ser S/A.

Nesse cenário, surgiram as redes sociais corporativas, ferramentas importantes não apenas para o estabelecimento de uma comunicação interna de excelência, mas também para empoderamento de um novo ser empresarial.

 

Redes sociais corporativas benefícios e desafios  

Na era digital, seja no trabalho ou em casa, invariavelmente as pessoas passam muito em frente dos computadores, tablets, smartphones, dentre outros dispositivos. Socializar nas redes é a razão existencial que move a humanidade pós-moderna. De acordo com dados do Hootsuite e We Are Social, divulgados em 2018, 62% da população brasileira está ativa nas redes sociais, sendo que, 58% já buscou por um serviço ou produto pela internet.

Se usadas estrategicamente, as redes corporativas são excelentes opções para o estabelecimento de uma cultura de excelência de comunicação interna, pois por meio da ferramenta é possível melhorar o clima organizacional; estabelecer diálogo entre os entes, com uma comunicação mutualística, que não privilegie as relações unilaterais; engajar o time; empoderar os participantes, pois tem-se espaço para o desenvolvimento de novas ideias, processos, serviços e produtos; reter talentos e até mesmo identificar lacunas organizacionais, reduzindo crises de comunicação e turnover. Mas o que é uma rede social corporativa?

Gamifique-se!

“Neta” da antiga intranet, são plataformas que reúnem profissionais de uma organização, criando uma rede de comunicação. Similar as redes sociais abertas, essas redes destinadas a um público de uma organização, que podem ser colaboradores ou outros stakeholders, em alguns casos fornecedores, parceiros e até acionistas, reúnem pessoas em torno de interesses comuns. Dependendo da plataforma é possível escrever conteúdos, compartilhar, curtir, criar comunidades e até mesmo conversar em modo privado com um usuário.

É digno de nota que o estabelecimento do diálogo proporciona crescimento, uma vez que, quando se potencializa a comunicação, prezando a inovação e criatividade existe um latente fluxo de pensamentos, no entanto, isso não quer dizer que as relações não devem ser mediadas.

Embora o advento das interações sociais, no ambiente digital contribua para a disseminação de conhecimento, comunicação rápida, abertura de novos mercados (tecnológicos e humanos), e inúmeros outros benefícios, sem mediação, as redes tornam-se uma grande ameaça à gestão da imagem e reputação da organização, que ficará exposta à imprevisibilidade dos fenômenos e a ideologias com fins estritamente oportunistas e pessoais.

Além da mediação, para ter sucesso, ao adquirir uma plataforma do mercado ou ao desenvolver uma rede social corporativa própria, é imprescindível que as organizações tenham claro o real objetivo do projeto, transparecendo o ideário aos participantes.

Para que seja estratégica e faça sentido, nada adianta apenas disponibilizar o acesso da rede aos participantes. A ferramenta deve ser parte de um plano de comunicação integrada, ter uma política sólida com processos que fundamentem o seu uso, com uma estratégia que contemple o papel dos mediadores; estrutura da rede, indicadores e mensuração da performance, como participação dos colaboradores; oportunidades, pontos de atenção e gargalos.

Ainda, é salutar lembrar que a adoção da rede não exclui outras ferramentas de comunicação. Principalmente quando se trata de comunicação interna, o uso de plataformas de diversos veículos, como house organ, jornal mural, TV Corporativa e outros facilita o acesso à informação facilitando a comunicação e os relacionamentos bilaterais.

Em suma, não dá para pensar que os resultados vão aparecer se não existir um planejamento prévio. Em comunicação, planejar é a chave do sucesso, principalmente  quando se trata de atrair e relacionar-se com o novo ser S/A.

Gostou do artigo?