Jogos Olímpicos e pandemia trazem aprendizados também às assessorias

jogos olímpicos

Maior evento esportivo do planeta, os Jogos Olímpicos naturalmente também foram afetados diretamente pela pandemia do coronavírus. A edição de 2020, marcada para Tóquio, no Japão, precisou ser adiada em um ano e terá sua abertura ocorrendo no próximo dia 23 de julho. Mas não foram apenas atletas e treinadores que tiveram que se reinventar neste período. A mídia, de forma geral, também passou por uma reciclagem forçada na forma de fazer o seu trabalho e isso, por tabela, também afetou a rotina das assessorias de imprensa.

Por sua própria natureza, o esporte tem uma relação especial entre o jornalista e a fonte de informação. É no calor das partidas ou treinamentos que a imprensa vai em busca dos personagens para suas reportagens e onde o assessor de imprensa está sempre presente, ajudando a estreitar o relacionamento entre seu cliente e os veículos de comunicação.

Fossem estes tempos normais e estaríamos vivendo um frenesi de eventos sendo marcados, entrevistas coletivas etc. Tudo com foco nos Jogos de Tóquio. Mas a Covid-19 mudou esta realidade desde março de 2020. Isso não significa que as agências de comunicação ficaram estáticas, sem encontrar maneiras de divulgar atletas e as empresas que os apoiam.

Ferramentas que eram vistas com reservas anteriormente, tornaram-se fundamentais neste período. A utilização de recursos como as plataformas Zoom ou Google Meet, que eram preteridas em favor dos encontros ao vivo, foram uma alternativa altamente eficaz para a imprensa realizar suas reportagens. Ponto positivo para as assessorias que conseguiram manter seus clientes em evidência, oferecendo seus porta-vozes para passar as mensagens de suas empresas ou entidades por estas plataformas.

Nesta mesma linha, as entrevistas coletivas, ponto fundamental para divulgação de ações ou eventos, não desapareceram em razão da pandemia, pelo contrário, se transformaram. Os encontros virtuais reunindo atletas das mais diversas modalidades com os jornalistas ocorreram ao longo destes meses e fora um inconveniente ou outro em razão de problemas de conexão, foram extremamente eficientes.

Jogos Olímpicos diferentes também para a imprensa

As mudanças de paradigma na imprensa por causa da pandemia também serão sentidos na cobertura dos Jogos de Tóquio. De uma forma ainda mais intensa, é bom lembrar.

Como forma de garantir que a Olimpíada aconteça da forma mais segura possível, rigorosos protocolos de segurança foram criados pelo comitê organizador local. Os chamados playbooks, ou “livro de regras”, foram criados especificando uma série de procedimentos de conduta e de segurança sanitária voltados para atletas, oficiais (técnicos e estafe), dirigentes, membros da chamada “família olímpica” e para a imprensa. Assim como os demais envolvidos no evento, os jornalistas terão que cumprir regras bem rígidas.

Além dos procedimentos para controle de casos positivos de Covid-19, a imprensa terá diferenças consideráveis na cobertura do dia a dia dos Jogos. Todos os envolvidos tiveram que definir os planos de cobertura nos primeiros dias no Japão para os organizadores e terão que se limitar a este plano. Durante os Jogos Olímpicos, os jornalistas terão direito a comparecer a um determinado número de eventos por dia e estarão sujeitos à limitação da área na tribuna de imprensa em cada arena, sendo necessária reservar um lugar para o caso de eventos de alta demanda.

Algo completamente diferente do que se viu em edições anteriores. Cenas de um exército munido de canetas e gravadores nas zonas mistas – área por onde os atletas passam ao sair da área de competição e falam com a mídia – eram comuns nos Jogos Olímpicos anteriores. Isso certamente será diferente em Tóquio.

No caso do Brasil, novamente o atuação da assessoria de imprensa será uma ferramenta fundamental para ajudar na cobertura dos Jogos. Por exemplo, a equipe de comunicação do COB (Comitê Olímpico do Brasil) usará de recursos como entrevistas online para atender a demanda dos jornalistas para entrevistas exclusivas, por exemplo. Aquele contato diário, e pessoal, comum nos chamados “tempos normais”, pelo menos em Tóquio ocorrerá de forma bem limitada.

Os aprendizados que a pandemia trouxe para o trabalho a imprensa em quase um ano e meio, em particular na imprensa esportiva, certamente vieram para ficar.

Por Marcelo Laguna