A modernidade e o relacionamento com blogs

Por Marianne Mitsui

A internet deixou de ser apenas um meio de comunicação e transformou-se em fonte de informação. Mas, para além disso, a internet ainda foi base para o surgimento de novas mídias e novas formas de se fazer jornalismo, pois permite que qualquer pessoa na rede interaja com a informação. Em uma rede onde o acesso a uma plataforma digital basta para receber e repassar informações, as novas tecnologias criam um espaço inédito para o compartilhamento entre usuários.

Segundo o jornalista Caio Tulio Costa, doutor em Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP, o caráter multimídia da internet aliado às redes sociais é o principal fator que confere às novas formas de comunicação uma intervenção direta do consumidor. Cria-se um cenário inédito na atualidade, em que as novas mídias diminuem a distância entre o veículo de comunicação – rádio, jornal, televisão – e o seu respectivo público, que participa da produção de conteúdo e atua na disseminação de novas ideias. As consequências imediatas desse contexto são as diversas facetas sobre a mesma informação.

É nesse panorama que se levanta a questão da atuação das agências de comunicação e das redações no universo das tecnologias digitais de portabilidade. Com a presença da rede wi-fi em lojas, restaurantes e praças públicas, e o aprimoramento dos dispositivos móveis, os internautas têm o poder de, a todo instante, conectar-se à internet para escolher as notícias que procuram e ainda produzirem conteúdo livre.

Esse fenômeno explica a tentativa dos veículos de se adaptarem à lógica veloz e diversificada da rede. A influência da internet na mídia tradicional transformou a dinâmica das redações, que trabalham o tempo todo para acompanhar a rapidez com que as informações circulam, e das assessorias de imprensa, que passaram a valorizar o papel da internet na divulgação.

Além disso, os jornalistas saíram de seu papel tradicional – quando eram os únicos produtores de conteúdo na mídia – para dividir espaço com qualquer indivíduo munido de tecnologia digital, chamado de jornalista-cidadão, de acordo com Costa. Essa realidade exige que os jornalistas ditos qualificados tenham maior capacidade profissional para obter destaque em meio ao fluxo informativo de fontes variadas.

Esse fenômeno abriu espaço para a difusão de blogs com conteúdo independente que, num primeiro momento, intimidaram a mídia tradicional. Apesar disso, gradualmente ela se adaptou às funções oferecidas pela ferramenta e muitos jornais incentivam seus funcionários a cultivarem blogs, segundo Othon Jambeiro, professor titular da Universidade Federal da Bahia. Conciliação semelhante foi feita com as redes sociais, que foram incorporadas por jornais, revistas e canais de televisão.

É nesse sentido que, para acompanhar a dinâmica dos acontecimentos, a adesão às novas tecnologias por parte de profissionais de comunicação é essencial. A internet transformou a atividade jornalística e ainda disponibilizou para o público um leque infinito de informações, arquivos e obras digitais. Constrói-se na rede um novo cenário, aberto, horizontal e democrático, sobre o qual o jornalismo e os profissionais da área irão constantemente se reinventar.

* Marianne Mitsui é Assessora de Imprensa na Race Comunicação.

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